Fora da margem existem muitos perigos. Dentro da bolha faltam beleza e filosofia. Faltam também generosidade, elegância e estilo. Sobram caretice e boçalidade. Fora da margem quase tudo é incerto e, justo por isso, não há a certeza do fracasso. Quem se arrisca pode conseguir. Quem vegeta, rumina e pragueja fica preso. Preso na bolha. Na bolha da insatisfação, do ressentimento e da mediocridade.
Estou fora da bolha e fora da margem. Num lugar diferente, onde posso correr os riscos que eu quiser, prestando contas apenas ao meu tribunal particular. A arena e o pelourinho estão lá dentro. Quem sai não volta mais. Quem atravessa a membrada pegajosa da bolha se limpa e pronto. Fica de fora observando tudo ou não prestando atenção em nada. De um jeito ou de outro, está livre. Ou quase.
Agora que estou aqui, do lado de fora, posso escrever sem obedecer a gramática esférica e enclausurada. Posso experimentar a sintaxe dos loucos e a semântica do não dito. Posso dizer e desdizer acreditando que a contradição é a característica máxima de homens, mulheres e todos os demais gêneros humanos que existem ou venham a existir. O deboche da bolha é o meu êxtase, porque não existe coisa pior do que os aplausos daqueles que não entendem nada.
Deixe um comentário